Entrevista com Co-fundador do Basecoin: Josh Chen

Variedade

O principal motivo pelo qual criptomoedas não tem tido uma adoção massiva pelo mundo, apesar de apresentar inúmeras vantagens em relação a moedas fiduciárias, é por sua volatilidade.

Tive a oportunidade de entrevistar Josh Chen, um dos 3 co-fundadores do Basecoin, que é certamente um dos projetos mais badalados de 2018 e que pretende resolver o maior obstáculo hoje no mundo das criptomoedas: a volatilidade.

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Josh Chen

Caso não conheça o funcionamento deste projeto leia primeiro clique aqui:

Eduardo: Quando surgiu o interesse em criptomoedas e a ideia de criar uma moeda estável?

Josh: Surgiu em 2012 quando os 3 estávamos na faculdade, [Princeton], estudando ciência da computação e começamos a minerar bitcoin. Ná época era lucrativo, não só devido a facilidade de mineração com GPUs, mas também porque tínhamos energia gratuita no campus.

Tomamos algumas aulas de economia e começamos a questionar se o Bitcoin poderia ser algo mais do que uma moeda para minerar, vender ou comprar pizzas, mas percebemos que seria muito difícil devido a sua volatilidade. Este pensamento que semeou a ideia de criarmos uma moeda estável.

Porém, foi apenas em 2016, após a publicação de alguns artigos sobre o assunto, que Nader escreveu um post sobre a implementação de uma moeda estável e o artigo acabou se viralizando entre investidores.

Eduardo: Isto leva a minha próxima pergunta. Como o Basecoin conseguiu aportes de alguns dos fundos de investimento mais conceituados do mundo?[Andreessen Horowitz, Bain Capital Ventures, Libertus Capital, PolyChain Capital, Pantera Capital, Digital Currency Group, 1confirmation, and MetaStable Capital]

Josh: O Nader já havia escrito alguns posts sobre criptomoedas quando ele escreveu sobre o conceito do Basecoin, que inicialmente chamava Treasury Coin. Na época ele trabalhava no Google e decidiu largar o emprego para se aventurar com o objetivo de criar o Basecoin. Logo em seguida Naval Ravikant [AngelList], que havia lido seu post, entrou em contato e eles marcaram de tomar um café em Nova York. Este encontro acabou durando 3 horas e de lá saíram com um termo de compromisso. Foi Naval que convenceu Nader de buscar investidores, pois até aquele momento ele estava considerando tirar um empréstimo para financiar o Basecoin. Conseguir o apoio dos investidores ajudou muito.

Eduardo: Muitos consideram um token de valor estável uma espécie de Santo Graal [Holy Grail] do mundo de criptomoedas. O que faz vocês buscarem algo tão ambicioso?

Josh: O potencial de criptomoedas é enorme, o blockchain permitiu a existência de um banco de dados sem dono, o que pela primeira vez possibilitou uma moeda descentralizada existir. Porém as moedas que foram criadas desde do bitcoin não funcionam devido sua volatilidade.

Eduardo: O conceito da “trindade impossível” diz que somente é possível ter 2 das 3 opções: 1) Taxa de câmbio fixa 2) Fluxo livre de capital 3) Autonomia monetária. Este conceito se aplica ao Basecoin?

Josh: Este conceito é amplamente aceito. No nosso caso queremos uma taxa de câmbio estável e a ideia também é permitir o livre fluxo de capital já que não temos armas (risos). Podemos aumentar a taxa de juros sem ter um teto e portanto não precisamos de autonomia monetária.

Eduardo: Como vocês pretendem atingir a descentralização do Basecoin, dado que a Intangible Labs [empresa por trás do Basecoin], irá deter a grande maioria dos baseshares após o ICO?

Josh: Os recursos do ICO serão usados para um fundo de estabilidade que nos primeiros anos irá operar no mercado com o objetivo de manter a estabilidade dos basecoins. Os baseshares terão uma taxa de decaimento que será um percentual anual.

Por exemplo: Se no primeiro ano houverem 100 baseshares e a taxa for de 5%, no segundo ano o fundo ficaria com 95 baseshares. Estas 5 irão para o blockchain e serão leiloadas ao mercado em troca de basecoins (que serão queimados) antes da emissão de basebonds, aumentando assim a força de contração da oferta de basecoins que o blockchain terá.

Essencialmente a ideia é que com esta taxa de decaimento, o importância da Intangible Labs será reduzido ao longo do tempo enquanto o projeto cresce e se fortalece. Os baseshares vendidos pelo blockchain no futuro irão permitir que qualquer pessoa possa adquiri-los, assim descentralizando ainda mais o Basecoin.

Adicionalmente estamos considerando diferentes maneiras de dedicar parte dos recursos arrecadados a uma boa causa, porém no momento não posso dar detalhes sobre isto.

Eduardo: Você poderia falar um pouco sobre o blockchain que vocês pretendem usar? Especificamente em relação a capacidade de processamento de transações e escalabilidade dado um projeto tão ambicioso.

Josh: De início vamos usar o Ethereum, que é uma ótima plataforma e nos permite lançar o projeto de forma mais rápida. Apesar de no momento ter algumas limitações em relação a escalabilidade, para o primeiro caso de uso do Basecoin que imaginamos ser a substituição do Tether (USDT) acreditamos que grande maioria das transações irá ocorrer fora do blockchain em bolsas de criptomoedas.

Como segundo caso de uso, vemos a adoção com a função de uma especie de conta corrente ou cartão de débito. Inúmeros projetos que foram lançados desenvolveram tokens próprios para o uso específico dentro de uma plataforma, porém segurar inúmeros tokens sendo que somente serão usados ocasionalmente não faz sentido. Seria como ter que comprar um Big Mac com ações do McDonalds. Portanto imaginamos que haverá uma demanda para esta “conta corrente” ou “cartão de débito” denominado em basecoin, onde a pessoa possa comprar o token que quiser, dependendo da aplicação que deseja e na quantidade necessária para aquele uso específico.

Mas adiante, com a adoção em massa do basecoin como moeda de uso cotidiano e a demanda para processar inúmeras transações pode ser necessário o desenvolvimento do nosso próprio blockchain. Como temos usos práticos muito diferentes do Ethereum poderíamos adotar soluções de escalabilidade distintas.

Eduardo: O modelo que vocês irão implementar envolve distribuír os novos basecoins criados através dos detentores dos baseshares quando o preço está acima do valor estipulado, aumentando assim a oferta e reduzindo o preço. Porém, caso os detentores dos baseshares não vendam, o preço não iria abaixar e eles receberiam mais basecoins. Como evitar esta manipulação?

Josh: Elaboramos um documento específico sobre eventuais formas de manipulação que pode ser lido aqui. Especificamente no caso da sua pergunta, existe um estímulo para vender mais rápidamente que outros detentores dos baseshares, já que ao receberem os basecoins o preço estará acima do valor estipulado como estável. Quem vender primeiro terá este ganho adicional. No documento acima explicamos outros motivos porque este tipo de manipulação não teria o efeito desejado.

Eduardo: Em um primeiro momento o basecoin teria seu valor atrelado ao dólar, mas vocês dizem que mais adiante imaginam que ele possa a ser atrelado a um índice. Porque o dólar ou um índice e não uma moeda de reserva como o DES (SDR) por exemplo?

Josh: Também consideramos o DES, que é uma cesta de moedas fiduciárias, mas imaginamos que o ideal seria atrelar o basecoin a um índice de preço ao consumidor global. Pessoas iriam votar nesta cesta de preços que seriam alimentados no sistema através de encarregados/delegados, estes iriam monitorar e computar cestas de produtos em relação ao basecoin e o protocolo iria manter este preço estável. Há algumas dificuldades neste processo, porém a flexibilidade do sistema permite atrelar o valor a qualquer coisa desde que seja possível alimentar os dados de forma confiável.

Eduardo: Você poderia dar algumas informações em relação a data do ICO, a forma de como será possível investir ou o preço de lançamento dos baseshares?

Josh: Infelizmente no momento não posso dar detalhes específicos.

Eduardo: Como você ou sua equipe definiriam o sucesso deste projeto?

Josh: Sucesso seria se pessoas passassem a usar basecoin para transações cotidianas. A visão atual é que criptomoedas são principalmente usadas como reserva de valor e não tanto como meio de troca/pagamento. Para poder ser usado em transações há dois fatores importantes: ter valor estável e ser escalável. Abordamos o aspecto de estabilidade, já que hoje não é possível usar bitcoin para comprar coisas devido a volatilidade e também devido ao tempo de confirmação de uma transação. Atualmente, se você quiser pagar/receber um salário também não é possível devido a volatilidade. Se o preço subir muito o empregador irá querer mandar embora devido ao alto custo do funcionário ou se cair muito o empregado não terá condições de pagar suas contas e irá querer pedir demissão. Portanto, sucesso para nós seria existirem economias que utilizam o basecoin para transações, pois será a moeda mais estável a qual eles tem acesso. Estas economias poderão ser países emergentes com moedas instáveis ou aplicativos decentralizados (dApps) que não tenham uma política monetária embutida em seus tokens. Todos os usos citados acima seriam considerados sucesso para o Basecoin.

Eduardo: Josh, obrigado por tomar um tempo para me explicar melhor este projecto inovador e extremamente ambicioso. Vou acompanhar de perto o desenvolvimento e aguardo mais informações sobre o ICO que deve ocorrer em breve.

Autor: Eduardo Cruz

Leia Tambem:O que é ICO?

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